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2016: o ano da Bolsa no Brasil?
Publicado 04 Janeiro, 2016
Márcio Raimundo Márcio Raimundo
Ações e Opções
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2015 chegou ao seu final de maneira melancólica para a economia brasileira: maior queda do PIB desde 1990; maior inflação dos últimos 13 anos; aumento substancial do desemprego; queda de produção e de confiança da indústria; queda das commodities; perda do grau de investimento...


No campo político a história não foi diferente: inúmeros escândalos de corrupção, prisão de políticos, banqueiros e grandes empresários; início do processo de impeachment da presidente; denúncias contra os presidentes da câmara e do senado; racha político que paralisou o país e muito mais.


O resultado dessa letargia política agravou a crise econômica e 2015 foi um ano com resultados bem piores do que o previsto até pelos analistas mais pessimistas. A Bolsa de Valores, obviamente, não passou imune pela crise, amargando mais um ano de perdas.


As principais ações da Bolsa fecharam 2015 com perdas substanciais: VALE5 caiu 43,5%; PETR4 perdeu 33% e BBAS3 derreteu 32% no ano. A construtora PDG Realty (PDGR3) e a Metalúrgica Gerdau (GOAU4) foram as que tiveram as maiores quedas, de 95% e 85%, respectivamente.


Esse é o terceiro ano consecutivo de perdas no Ibovespa, que fechou 2013 com recuo de 15,5%; 2014 com queda de 17,96% e encerra 2015 com perdas de 13,3%. Desde 2009, quando cresceu 82,66%, que o índice da bolsa de valores brasileira vem em queda ou anda de lado.


Esse período prolongado de perdas tornou a bolsa brasileira extremamente barata e convidativa para investimentos estrangeiros, daí porque há uma grande confiança do mercado que 2016 pode ser o ano em que a bolsa vai finalmente deslanchar.


Outro dado interessante é que as bolsas têm seus ciclos de altas e de baixas, num movimento normal de mercado. Geralmente esses ciclos demoram de quatro a seis anos para mudar de direção. E o ciclo de baixa da bolsa brasileira vem desde 2010, ou seja, completaram-se seis anos de um período de baixa do ibovespa.


De 1991 até 2015 tivemos quatro grandes ciclos: dois de alta e dois de baixa. Vejamos os números:


De janeiro/1991 a julho/1997 (seis anos e meio): ciclo de alta de 3.415%;
De julho/1997 a outubro/2002 (seis anos e três meses): ciclo de baixa de 83,82%.
De outubro/2002 a maio/2008 (cinco anos e sete meses): ciclo de alta de 2.051%;
O segundo semestre de 2008 e o ano de 2009 foram atípicos, com uma queda substancial por conta da crise mundial em 2008 e com uma rápida recuperação da bolsa no ano seguinte.


Desde o início de 2010 até o final de 2015 a queda foi de quase 40%. São exatos seis anos nesse ciclo de baixa. Além disso, estamos no pior fechamento em dólar (cerca de 11 mil pontos) desde 2004.


Todos esses fatores juntos levam a crer que o ciclo de baixa da bolsa está no fim. É impossível determinar quando se dará um novo ciclo de alta, mas há quase um consenso de mercado que o momento de comprar é agora.


Vários fatores corroboram esse entendimento: mais de 80% das ações do ibovespa estão sendo negociadas abaixo de seu valor de mercado; o Ibovespa em dólar está a 11.000 pontos, pior patamar desde 2004; o ciclo de baixa já dura seis anos; possibilidade de impeachment da presidente; a situação política brasileira deve chegar a um consenso, com ou sem impeachment.


Para finalizar, o cenário econômico ruim parece já precificado nas ações, ou seja, qualquer boa notícia ou sinal de luz no fim do túnel deve alavancar o preço das ações imediatamente. Quando vier a recuperação da economia, certamente já será tarde para se posicionar.

* O texto reflete a opinião dos autores. O Minuto dinheiro não se responsabilizam por lucros ou prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

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